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Reynaldo Gianecchini: 'Não tive medo de morrer'

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Entrevista realizada pelo site Patrícia Kogut


Depois de ficar internado por causa de uma reação alérgica, Reynaldo Gianecchini conta que ainda está se recuperando do susto. Ele garante que volta aos palcos nesta quinta-feira, com a peça “Doce deleite”, no Teatro dos Quatro. Gianecchini saiu da Clínica São Vicente, onde ficou hospitalizado por quatro dias, no dia 24, e, desde então, se recupera em sua casa, na Gávea.

Nesta entrevista exclusiva ao PatriciaKogut.com, o ator conta os detalhes da alergia, fala de seu trabalho na peça, em que atua do lado de Camila Morgado, e de possíveis trabalhos na TV.

PatriciaKogut.com - Você ficou quatro dias internado. O que houve?



Reynaldo Gianecchini - Há três semanas, tive uma intoxicação alimentar, por causa de um camarão infeliz que comi. Depois, foi uma infecção forte na garganta, que me deu febre alta. Mesmo assim, continuei fazendo a peça. Sabe como é ator, né?, temos esse amor pelo teatro e não queremos faltar, é desrespeito com o público que foi nos prestigiar, essas coisas. Mas todo o esforço me deixou ainda mais fraco e peguei uma gripe, daquelas persistentes, que demoram a passar.

PatriciaKogut.com - Mesmo assim continuou com o espetáculo?



Gianecchini - Ah, sim. Não gosto de tomar remédio, mas me enchia de aspirina e ia fazer a peça. O palco é uma loucura, dá uma energia extra. Às vezes eu mesmo duvidava que ia terminar a sessão, mas conseguia. Como a infecção e a gripe não passavam, resolvi tomar um remédio mais forte, por conta própria. Escolhi um antibiótico comum, desses que todo mundo toma, à base de penicilina. Mas, no fim da peça, no domingo (dia 20), eu já estava me sentindo mal. Detesto hospital, mas tive que ir. Lá, os médicos viram que tive uma reação alérgica brutal. Aí, não saí mais. Fiquei o tempo todo à base de cortisona.

PatriciaKogut.com - Você não sabia que era alérgico à penicilina?



Gianecchini - Até agora não era. Nunca tinha tido problema com esse medicamento, tomo normalmente, como qualquer pessoa, desde criança. Mas essas coisas vão se acumulando no corpo. Um dia, o organismo pode reagir e foi o que aconteceu comigo. Foi forte, fiquei todo vermelho, empolado, com muita coceira.

PatriciaKogut.com - A crise foi grave... Você teve medo de morrer?





Gianecchini - Não tive medo de morrer, nem penso nessas coisas. Foi grave, mas não tanto quanto saiu (na imprensa) por aí. Não tive choque anafilático. Fiquei na unidade semi-inteniva porque precisava monitorar os batimentos cardíacos.

PatriciaKogut.com - Como você está agora?



Gianecchini - Ainda estou com coceira, a pele está um pouco avermelhada, mas estou pronto para retornar ao trabalho. Só não voltei no domingo (dia 27) porque a peça é desgastante, trocamos de roupa várias vezes, cantamos, dançamos... O médico achou melhor eu me poupar porque poderia haver uma recaída.


PatriciaKogut.com - E como está a temporada?



Gianecchini - Ah, nada como ter saúde, estou muito feliz por já estar recuperado e poder voltar. Toda semana eu fico esperando a quinta-feira chegar, fazer o espetáculo é muito bom. Eu e Camila vamos para lá fazer uma brincandeira com o público. Queremos divertir as pessoas com aqueles personagens, cantando, dançando, usando nossos recursos como atores. Estamos fazendo uma boa temporada, estou orgulhoso de poder continuar a história desse texto, que já tinha sido montado antes pela Marília (Pêra) e pelo Marco (Nanini).

PatriciaKogut.com - Você acaba de recusar um papel na próxima novela de Miguel Falabella, "Negócio da China". Não quer voltar para a TV agora?



Gianecchini - Seria um prazer trabalhar com o Falabella, ele tem um talento enorme, mas eu realmente não quero voltar agora. Em fevereiro, acabei "Sete pecados", estava no ar também à tarde, na reprise de "Da cor do pecado", estava aparecendo demais. Então, resolvi que só devo fazer novela no ano que vem. O público precisa de um descanso também, precisa sentir saudade do ator na TV. Vou investir no teatro, a peça vai estrear em São Paulo no dia 12 de setembro e devemos ir para outras cidades também.

PatriciaKogut.com - E no cinema?



Gianecchini - Consegui fazer dois filmes entre o fim das gravações da novela e o início da temporada da peça. "Entre lençóis", com a Paola Oliveira, e "Divã", com a Lilia Cabral. Os dois estréiam no ano que vem.

PatriciaKogut.com - Você fez cursos de interpretação lá fora. Pretende investir numa carreira internacional?



Gianecchini - Por enquanto não. Acho interessante, não posso falar que não quero. Mas tem que vir naturalmente, construir um nome lá fora, com a repercussão de filmes nacionais, e assim obter convites de lá. Eu não iria sem alguma coisa concreta.


Fonte: Patrícia Kogut

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